A nova regra coloca sob retenção de 10% apenas quem recebe mais de R$ 50 mil por mês em dividendos (ou R$ 600 mil no ano). E aqui vale uma observação importante: a lei olha o valor recebido, não a profissão — pode ser empresário, médico, advogado, engenheiro, herdeiro ou qualquer outra atividade.
Apesar da retenção, a alíquota efetiva é progressiva e, no ajuste anual, muitos contribuintes terão devolução parcial ou total do imposto, especialmente quando suas empresas já pagam IRPJ e CSLL perto do limite (34% ou 45% para instituições financeiras).
Como funciona a distribuição
A distribuição segue duas etapas:
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Deliberação — quando os sócios decidem quanto do lucro será distribuído.
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Pagamento — momento em que o imposto realmente incide.
Dividendos podem ser mensais, trimestrais ou anuais, desde que existam lucros suficientes e escrituração contábil adequada. Só é tributado o que é efetivamente pago.
E atenção: para distribuir dividendos, a empresa precisa estar regular com a Receita (CND Federal).
Há formas de reduzir o impacto?
O único instrumento que ainda faz sentido para aliviar a carga da PJ é o Juros sobre Capital Próprio (JCP), agora mais flexível após o entendimento do STJ.
Mas, para a pessoa física, o JCP é tributado em 15%.
Estratégias como holding ou fundos costumam não resolver — ou até piorar — em função de custos e das novas regras.
Alta renda e progressividade
A reforma busca corrigir distorções: hoje, a faixa mais rica paga alíquotas efetivas baixas (entre 2,5% e 5%). A partir de 2026, a tributação da alta renda deve aumentar, aproximando o sistema brasileiro dos padrões internacionais.
O que as pessoas estão fazendo agora?
Há uma corrida para deliberar até 31/12/2025 a distribuição de lucros acumulados até esse ano — esses valores seguem isentos se forem pagos até 31/12/2028.
E os outros temas (offshore, exclusivos, ITBI, ITCMD)?
São assuntos diferentes.
Impostos como ITBI (municipal) e ITCMD (estadual) tratam de patrimônio, não de renda.
Fundos offshore e exclusivos já têm regras próprias, com tributação em torno de 15% e custos elevados.